LIGA DE AMIGOS DE PORTUGAL
Em Portugal, ano 2006, fará sentido criar a Liga de Amigos de Portugal? Pensamos que sim. Entendo que no estado a que chegámos, a divergir dos restantes Estados da União Europeia, em face dos desafios da globalização, a sustentabilidade da nossa débil economia, a defesa do meio ambiente e da qualidade de vida dos portugueses, parece-nos, que faz todo o sentido a união de todos os portugueses, em especial dos verdadeiros amigos de Portugal.
Então Portugal tem inimigos dentro de portas? Sim e muitos. Se não tivesse a nossa qualidade de vida e os indicadores de comparação com os outros países no quadro europeu e mundial seriam outros. Confesso que sinto tristeza quando a comunicação nos mostra estudos de organizações internacionais tais como: OCDE; Banco Mundial, Eurostat, FMI em que os nossos indicadores que revelam, com tanta evidência, os resultados a que chegámos, que impedem que um número, cada maior, de portugueses, acreditarem e terem confiança num futuro melhor e mais promissor.
Às vezes sinto que o nosso país parece um castelo de cartas em queda contínua e acelerada.
Talvez fosse bom que aqueles que ainda não se demitiram de uma cidadania pró-activa assumida (ou seja não anestesiados socialmente) se fossem associando em espaços de encontro: associações, clubes, grupos de amigos, etc. para acertarem estratégias de intervenção local e nacional: na imprensa, rádio, televisão, assembleias de freguesia, assembleias municipais, por meio de expressão cultural e artística, de forma a contribuírem e influenciarem os decisores políticos, locais e nacionais para as tomadas de decisão mais ajustadas ao sucesso do nosso país.
Não tenho dúvidas da importância destas cidadanias activas e das suas mais-valias para o progresso local, regional e nacional.
Sem uma sociedade civil atenta e motivada e confiante não há desenvolvimento sustentável e mais qualidade para a generalidade dos portugueses.
Na minha perspectiva são inimigos de Portugal: os dirigentes e funcionários públicos incompetentes e irresponsáveis (em serviços como: escolas, hospitais, tribunais, administração central e local, forças de segurança e de defesa nacional, etc.), os autarcas sem práticas de excelência e visão estratégica (não verdadeiros inventores e criadores do nosso futuro colectivo), os gestores públicos ou privados que não conseguem antecipar as expectativas dos seus clientes e motivar os seus colaboradores (factores âncora da competitividade e produtividade e criação de riqueza). São ainda inimigos de Portugal todos os que ainda não perceberam que o mundo é plano e que como cidadãos do mundo estamos a competir ao nível global tanto do ponto de vista individual, empresarial e nacional.
Só sobreviveremos com uma sobre dose de criatividade, inovação, motivação e porque não dizê-lo de patriotismo e grande responsabilidade social.
Temos, em Portugal, empresas e serviços que mostram a sua competência ao nível nacional e mundial. Temos de adaptar as suas boas práticas de gestão e inovação na administração pública e no sector privado.
O nosso desafio é converter problemas em oportunidades. Como cidadãos temos de ser parte da solução e não parte do problema. Compete-nos o direito e o dever de acompanhar e fiscalizar a actividade política local e nacional, com elevado sentido crítico pró-activo. O nosso futuro depende de nós e da nossa forma solidária de fazer cumprir Portugal (como fala Fernando Pessoa).
José Marques
2006-05-21
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