sexta-feira, 2 de novembro de 2012

É preciso! É urgente reinventar os negócios!


  “É tarefa primordial e responsabilidade da nova geração reinventar as nossas empresas e instituições, públicas e privadas” esta é premissa base do livro “Reinventar o Mundo “ (2003), de Tom Peters, o guru de gestão, mais inovador do mundo e co-autor do best-seller internacional “Na Senda da Excelência” (1982.)

   Perante os desafios colocados pela globalização e o consequente mercado global não há alternativa à reinvenção de todas as organizações sejam elas privadas, públicas ou do sector social, e seja qual for a sua dimensão e território.
   A nova economia resultante do paradigma atual obriga a utilizar as melhores ferramentas capazes de converter problemas em oportunidades. Face ao momento corrente, “a incerteza é a única coisa certa”, segundo afirma Anthony Much, Citigroup.
 
   Os modelos de organização do século XX já fazem parte da história. Só a aplicação de novos modelos de organização e gestão, mais flexíveis e ajustados às necessidades dos consumidores, garantirão a sustentabilidade das organizações empresariais e outras. A centralidade não está na produção mas sim no mercado (consumidores). Os produtos e serviços a prestar serão uma resposta às necessidades do consumir sentidas ou criadas pela inovação constante, ao cuidado de criativos cada vez dinâmicos e atentos às novas expectativas dos reis do mercado: os clientes.
 
    Sendo o objectivo de qualquer empresa criar consumidor, jamais este princípio poderá ser ignorado sob pena da combinação dos recursos capazes de uma produção de bens ou serviços não encontrar mercado. Para Peter Drucker, “ sem uma liderança eficaz, os recursos de produção continuam recursos e nunca se transformam em produção. E numa economia competitiva são sobretudo a qualidade e o desempenho dos administradores que determinam o sucesso de uma empresa; na realidade determinam a sua sobrevivência, pois a qualidade e o desempenho dos seus administradores são as únicas vantagens efectivas que uma empresa pode ter, dentro de uma economia competitiva.”
   Hoje, ser CEO de uma empresa é muito exigente porque com a abertura ao mercado global, deixamos de concorrer com empresas do outro lado da rua, propriedade de amigos e conhecidos, para produzir e exportar para o mercado global, e sofrer a concorrência de produtos dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e de outras economias emergentes.
   Os empresários terão de compreender que só criando valor acrescentado poderão colocar nos mercados produtos ou serviços que satisfaçam os consumidores, através do reconhecimento da sua utilidade efectiva.
Também terão de saber responder à pergunta a cada momento “qual é o nosso negócio?”e quais as necessidades dos consumidores que ainda não estão satisfeitas. Para Peter Drucker, “quem souber fazer esta pergunta e responder correctamente faz a diferença entre uma empresa em crescimento e outra cujo desenvolvimento depende da maré ascendente da economia ou do sector. Mas quem quer que se contente em subir com a maré também cairá com ela.”
   Os novos saberes de gestão implicam uma nova atitude estratégica empresarial que conduza à definição de objectivos para as áreas-chave que serão a garantia da sustentabilidade e sucesso das empresas do século XXI: marketing; inovação; organização; recursos financeiros; recursos materiais; produtividade; responsabilidade social e nível de lucro. Aprendi que o conhecimento é um motor parado. É a atitude que o move.
   O marketing e a inovação terão de assumir a sua centralidade no mundo dos negócios. Não pode haver dúvidas, é por estas duas áreas que o mercado e os clientes estão disponíveis a pagar.
   Os ganhos de produtividade que são fundamentais para a competitividade dependem do fator trabalho, mas este é só um dos fatores: A melhoria da produtividade não pode ser conseguida, subestimando outros recursos: infraestruturas, processos, tecnologia, organização e capital.
   Face ao desafio global teremos de colocar no terreno respostas integradas e tecnicamente ajustadas e coerentes com as novas oportunidades. É urgente converter problemas em oportunidades.
 
“ Há três tipos de empresas: as que fazem acontecer; as que veem acontecer e as que perguntam o que aconteceu”
   Está na mão dos diferentes atores das empresas tentar encontrar os caminhos que levam ao sucesso e a bom porto.
 
   Não lugar para fingir que não está a acontecer nada e é imperioso estar alerta e atento, antes que seja tarde, porque estamos perante um “tsunami “no mundo dos negócios e temos que agir face à III guerra mundial financeira. Esta nova guerra não cheira a pólvora mas a miséria, desemprego e fome. Trará, como as outras, a concentração da riqueza e um empobrecimento de biliões de seres humanos que sobrevivem com menos de 1 euro por dia.
 
   Se não queremos que a Europa fique para museu, teremos de ser proactivos e colocar o saber e a ciência na equação solução do problema /desafio global. Tal como fala o poema da Sofia de Melo Breyner: vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.

Benedita, 2012 -07-19

José Marques, economista

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